16/04/2014

Resenha | Minha Metade Silenciosa - Andrew Smith

Stick
Autor: Andrew Smith
Editora Gutemberg


Stark McClellan tem 14 anos. Por ser muito alto e magro, tem o apelido de Palito, mas sofre bullying mesmo porque é “deformado”, já que nasceu apenas com uma orelha. Seu irmão mais velho, Bosten, o defende em qualquer situação, porém ambos não conseguem se proteger de seus pais abusivos, que os castigam violentamente quase todos os dias. Ao enfrentar as dificuldades da adolescência estando em um lar hostil e sem afeto – com o agravante de se achar uma aberração –, o garoto tem na amizade e no apoio do irmão sua referência de amor, e é com ela que ambos sobrevivem. Um dia, porém, um episódio faz azedar terrivelmente a relação entre Bosten e o pai. Para fugir de sua ira, o rapaz se vê obrigado a ir embora de casa, e desaparece no mundo. Palito precisa encontrá-lo, ou nunca se sentirá completo novamente. A busca se transforma em um ritual de passagem rumo ao amadurecimento, no qual ele conhece gente má, mas também pessoas boas. Com um texto emocionante, personagens tocantes e situações realistas, não há como não se identificar e se envolver com este poético livro.

"Estou flutuando. E vejo todas as pessoas que vem e vão, carregadas pelas correntes contra as quais não podemos nadar. "
Stark quebrou minhas expectativas. Foi um livro que eu simplesmente li em menos de um dia, não havia nenhuma maneira de esperar mais um pouco, ou ler co calma. Enquanto o personagem principal tinha treze anos e era um menino, algo diferente dos meus passeios literários habituais, achei a história de Stark McClellan dolorosa, mas ao mesmo tempo incrível.

A história centra-se fortemente em fraternidade. Stark (conhecido como “Palito” por causa de sua aparência) e seu irmão de dezesseis anos, Bosten, tem uma relação muito estreita para os irmãos. Mesmo com tudo o que teve de lidar , pais cruéis e rudes, uma vida cheia de regras, eles ainda eram capazes de brincar com o outro.

Os personagens não são planos, eles têm muitas lutas (que eu não podia acreditar estavam acontecendo), falhas e cometemos erros que todos ajudaram a volta deles em personagens que pareciam reais. Logo no começo do livro temos Emily, a melhor amiga de Stark, com quem ele dividi vários momentos da sua vida e que também divide seu coração. Temos também Paul, o melhor amigo de Bosten, que o acompanha praticamente por toda a metade do livro.

Stark e Bosten tem vínculo tão lindo e fortalecedor, mesmo com os abusos de crueldades que  eles têm que suportar nas mãos de seus pais. É muito perturbador pensar que tipo de vida desses meninos tiveram, e pior ainda, como eles vêem isso como normal. Estes pais merecem uma longa estadia na prisão. Além da dificuldade em casa, há um enorme preconceito, ou melhor bullying para o fato de que Stark nasceu com apenas um ouvido/orelha. É usado como um lembrete constante de que ele é diferente. Há partes que Stark me chateou, pois ele sempre se colocou para baixo sempre que alguém que não seja seu irmão lhe mostrou bondade, como se as pessoas estivessem com dó dele.

Há uma série de referências a drogas ao longo do livro também, mesmo que Stark não estava participando neles. Mas sendo que o personagem principal é tem treze, beirando a quatorze anos, o sexo é muito prevalente na mente de Stark, não no ato, mas mais a atração. Parecia que ele estava constantemente lutando ereções indesejadas. Apenas sobre qualquer mulher o tirava do sério. Funcionou bem para entrar na mentalidade da época. Mas havia uma espécie de inocência para Stark. Há definitivamente uma frente romântico em seu horizonte, mas ele não é do tipo que fica perto de outras pessoas. Seu estado consciente adicionado à emoção que trouxe para fora. Há alguns realmente belas cenas. Eu particularmente adorei a lavagem do cabelo com Emily...

O tema de aprender a levantar-se para si mesmo era predominante, ou talvez mais ainda, aprender a acreditar em si mesmo. Bosten desempenha um papel nesse processo, bem como algumas outras pessoas que cuidam Stark se depara em sua jornada. Os personagens realmente são colocados através do toque, pois têm muito mais do que apenas a sua família a enfrentar. Provavelmente foi por isso que eu amava tanto, foi necessária a má para destacar o bom. O crescimento de Stark me impressionou, mas eu fiquei com lágrimas, de felicidade e tristeza junto com o Palito, pois me trouxe a um ponto de desespero. É uma poderosa leitura de tal forma que eu não sei o que pensar ou pode até mesmo, parar de pensar nisso. Até agora foi a melhor livro que eu li em 2014, e tenho certeza que será o melhor para todos que lerem.
Nota mil para a capa!

Recomenda-se:
Aqueles que procuram alguns títulos muito emocionais... fraternas que lidam com o abuso e outras formas de adversidade.


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