21/09/2015

O que não existe mais - Krishna Monteiro | Resenha

O que não existe mais

Krishna Monteiro
Editora: Tordesilhas


"O que não existe mais é um relato sobre memória e desajuste, solidão e renascimento. Neste livro de contos, Krishna Monteiro explora esses temas sob vários ângulos. O de um filho perseguido nos corredores de sua casa pela lembrança viva o pai; o de um pacto celebrado pelo escritor João Guimarães Rosa numa encruzilhada; o de um galo de briga que, ao combater na arena, recorda toda a sua existência; o de um gato, narrando os últimos momentos de sua dona, sem compreendê-los; o de um velho soldado que tenta sem sucesso exorcizar a guerra; o de uma mulher que diante da degradação e do envelhecimento vê no ato de contar histórias a fonte mesma de criação e manutenção da vida."

Esse é um daqueles que em poucas paginas e em contos curtos e cheios de sentimentos, é capaz de se tornar um livro marcante. Cheio de mensagens sobre os diversos tipos de perdas que nós passamos, é um livro cheio de poesia e de uma escrita profunda que é simplesmente incrível de se ver.
O tema principal do livro, como o próprio titulo diz, é sobre coisas que não existem mais e que se diferem sobre o tipo de coisas que perdemos e as vezes, fazemos o possível para evitar e ignorar.
Com sete contos sobre as diversas perdas da vida, temos um elaborado d contos de profundidade que chega a ser melancólico de tanto que nos marca.

Temos aqui o luto de um filho que perdeu o Pai e suas lembranças sobre os últimos dias que passaram juntos, e a visão de que apesar de o pai não estar mais vivo, ainda se tem forte a presença dele em tudo que ele ensinou e fez pelo filho. Escrito em segunda pessoa, ele age como se os dois estivessem em uma brincadeira de esconde esconde.

"O último lustre se apaga. E, ao deitar em minha cama, na última, derradeira vez que te vi depois da tua morte, dou-me conta, pai, concluo, pai, que tu sempre haverás de existir. Bos noite. E adeus."   

Um dos conto mais interessante e de ponto de vista mais inusitado, é o que nos trás a perspectiva de um Galo, que é usado em rinhas de brigas, e temos aqui uma visita ao seu passado e a perda que nós, humanos, causamos a sua liberdade e a perda de sua vida tranquila e sua família. De modo concreto, temos aqui uma critica a estas atividades. Foi um dos mais longos dos conto do livro e o que mais me chamou a atenção, devido a narrativa intensa.

O terceiro conto que eu mais gostei e com o qual eu vou fechar a resenha de hoje é o mais curto dos contos, com apenas três paginas mas o mais carregado de perdas possíveis, já que aqui, temos um homem que esta prestes a se suicidar e um homem o tenta convencer a largar a arma. A total perda da esperança, a vontade de perder a vida, e a perda da coragem para seus atos são colocadas aqui em poucas paginas e de forma tão breve, mas foi o que eu passei mais tempo pensando nele depois que encerei a leitura. Não sabemos o que faz o homem pegar a arma para dar fim a própria vida, mas mesmo assim, ele é colocado de forma tão intensa que chega a ser deprimente a leitura. 

"Olha, mira a noite lá fora. Se eu fosse você, largaria esta arma. Colocaria o revolver no chão."

Eu super recomendo a leitura deste livro, é uma leitura rápida, mas que tenho certeza vai chocar vocês de diferentes maneiras, e também vai fazer vocês pensarem sobre as perdas da vida, e suas diferentes faces. também temos a sensação se estarmos presos em uma leitura tridimensional, que na verdade mais parece um quadro de arte abstrata em poucas paginas. 








Veja a resenha também no blog da Ligia http://chacombolacha.blogspot.com.br/2015/09/o-que-nao-existe-mais.html
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