04/11/2015

A Mentira - Helen Dunmore | Resenha

A Mentira 

Helen Dunmore
Companhia Editora Nacional

Este é um romance sobre afetos e perdas que se passa no devastador cenário da Primeira Guerra Mundial. Daniel Branwell é um jovem soldado que consegue voltar no fim da guerra. No fronte, ele perde seu grande amigo de infância, Frederick Dennis. Em casa, seu retorno é para um vilarejo cheio de ausências e com a notícia do falecimento de sua mãe. Diante disso, o rapaz não se esforça para se comportar como todos esperam que ele faça, considerando que as memórias das trincheiras e de Frederick não lhe abandonam e perturbam sua mente. Neste comovente romance, reconstruir a vida após a guerra parece uma tarefa pesada demais para o protagonista. O enredo, que passeia sobre os temas da lealdade e da amizade, surpreende o leitor ao tratar das difíceis consequências que nossas escolhas têm em nossas vidas.

É até comum saírem livros sobre a Segunda Guerra Mundial e é um tema bem monopolizado pelos autores, mas eu nunca tinha lido um sobre a Primeira Guerra e fiquei bem impressionada com os relatos deste livro. Escrito de modo que nós somos levados junto aos soldados nas principais trincheiras e vemos seus desafios diários, temos aqui muito além dos relatos de batalhas sangrentas e sim homens que lutavam dia após dia com as principais dificuldades da vida nas trincheiras e nos acampamentos, algo que eles nunca foram treinados para sobreviver. 
Com epigrafes tirados de coleções de cartas e diários de soldados, a autora mereceu todos os prêmios que ganhou com este livro.

Daniel Branwell acaba de voltar a sua vila, mas não para casa. Ele já não é mais a mesma pessoa. Após passar um período em meia a guerra nos campos na França nas trincheiras, ele perdeu o melhor amigo Frederick Dennis em combate e agora ele retorna para descobrir que sua Mãe tinha falecido e então ele passa a morar com uma senhora que está doente. E após o falecimento dela ele passa a morar escondido em sua casa.

Daniel era o filho da empregada na casa da família Dennis, e apesar de todos os contras e das classes sociais totalmente diferente, ele e Frederick se tornam melhores amigos e fazem até mesmo um pacto para a vida toda. Mas todos os sonhos e planos de ambos são interrompidos pelo anuncio da guerra e a convocação dos jovens para as batalhas. Daniel foi diretamente para linhas de batalha, mas Frederick por causa de sua posição social, acaba se tornando um homem de patente mais alta. Mas isso nada significa em meio a Guerra, e a vida dele acaba sendo levada em meio a luta e Daniel, após todos os horrores que passou, tem a chance de voltar.
Daniel está completamente traumatizado com os dias na trincheira, onde assistiu outros soldados morrerem doentes, principalmente pelo chamado Pé de Trincheira, onde os pés dos soldados apodreciam dentro das botas por causa da umidade e da lama gelada, das grandes infestações de piolhos que os atacava e todo terror das lutas e explosões, dos corpos na lama fria sem nem ao menos o direito de um enterro digno depois.

"Aquelas imagens terríveis crescem em mim. Vejo uma criança arremessada de um penhasco, a blusa esvoaçando. Vejo uma criança no chão ensanguentada e destroçada. Tenho medo de multidões."

O livro é narrado de maneira que hora estamos no presente com Daniel e então, ele nos leva ao passado em devaneios que se tornam cada vez mais reais a ponto dele se machucar várias vezes por não conseguir mais distinguir a realidade do sonho.
Agora ele também, ele parece estar sendo perseguido pelo fantasma de Frederick, que parece o acompanhar o tempo todo.

É aquele tipo de livro que você só consegue largar quando ele acaba e foi difícil não me emocionar em vários momentos.
E sobre a mentira, ela na verdade é um segredo que claramente não contarei aqui e somente lendo para poder descobrir. 






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