01/03/2016

Enquanto Bela Dormia - Elizabeth Blackwell | Resenha

Enquanto Bela Dormia

Elizabeth Blackwell
Editora Arqueiro

Em uma alquimia irresistível, a ficção histórica e a forma clássica de desfiar narrativas se unem nesta inteligente recriação de A Bela Adormecida. Com suas intrigas palacianas, este livro pode até não ser um conto de fadas, mas é tão encantador quanto um.” – People
“Inesperado e de partir o coração. Uma história cativante cheia de casos de amor, segredos e promessas feitas e quebradas. Esta releitura linda e original de um clássico é sedutora e muitas vezes surpreendente.” – Library Journal
Nos salões de um castelo, uma confidente leal guardou por muitos anos os segredos de uma rainha linda e melancólica, uma princesa que só queria ser livre e uma mulher que sonhava com a coroa. Esta é sua história.
Ambientada em meio ao luxo e às agruras de um reino medieval, esta releitura de A Bela Adormecida consegue ser fiel ao clássico ao mesmo tempo que constrói uma narrativa recheada de elementos contemporâneos. Nessa mescla, os dramas de seus personagens – um casal infértil, uma jovem que não aceita viver em uma redoma e uma família despedaçada pela inveja – tornam-se atemporais.
Quando a rainha Lenore não consegue engravidar, recorre aos supostos poderes mágicos da tia do rei, Millicent. Com sua ajuda, nasce Rosa, uma menina linda e saudável. No entanto, a alegria logo dá lugar às sombras: o rei expulsa de suas terras a tia arrogante, que então jura se vingar. Seu ódio se torna a maldição que ameaça a vida de Rosa. Assim, a menina cresce presa entre os muros do castelo, cercada dos cuidados dos pais e de Flora, a tia bondosa e dedicada do rei que encarna a fada boa do conto original.
Mas quando todas as tentativas de proteger Rosa falham, é Elise, a dama de companhia e confidente da princesa, sua única chance de se manter viva. E é pelos olhos dessa narradora improvável que conhecemos todos os personagens, nos surpreendemos com o destino de cada um e descobrimos que, quando se guia pelo amor – a magia mais poderosa do mundo –, qualquer pessoa é capaz de criar o próprio final feliz.'

Verdadeiro, sem floreios, a versão realista de um conto de fadas.


Enquanto Bela Dormia é narrado em primeira pessoa, pela personagem Elise, a heroína da história, entretanto, ela não usa toda a pompa e magia apresentada nos contros de fadas, pelo contrário, o livro apresenta uma visão realista e crua dos acontecimentos, mostrando um outro lado do conto que ninguém conhece.
O livro começa com Elise contando a verdadeira história da Bela Adormecida para sua bisneta Raimy, que mexera em suas coisas e encontrara uma porção de objetos misteriosos,  fazendo assim com que sua bisavó contasse, pela primeira vez, os acontecimentos de sua vida, desde sua pobre infância em uma fazenda, até sua vida no palácio.



"O que é isto? - perguntou-me, com a voz assombrada.Um objeto tão caro e tão letal normalmente não teria lugar entre as posses de uma simples viúva de comerciante.Eu poderia ter enganado Raimy com uma mentira e enxotado-a dali. Mas olhei para minha querida bisneta e constatei que não poderia mentir. Nos cinquenta anos decorridos desde aqueles dias terríveis na torre, nunca falei do que havia acontecido lá. Mas, com o corpo fraquejando e a morte se aproximando, eu andava atormentada por lembranças que me invadiam sem ser chamadas, provocando ondas de saudade do que um dia havia existido. Talvez seja por isso que permaneço nesta terra, a última testemunha que viu Rosa quando ela era jovem e não havia ainda sido atingida pela tragédia. A única que viu o desenrolar de tudo, desde a maldição até o último beijo."


Apesar de existirem elementos do conto clássico, a narrativa não tem floreios ou pompa, é a visão nua e crua de tudo que aconteceu na vida de Elise, sua infância pobre, os infortúnios que acometeram sua família, sua existência como filha bastarda, criada por um padrasto rude e bruto, a parca alimentação de que dispunham, o trabalho árduo e a tragédia que os acometeria, e que seria o passo inicial para sua aventura no palácio e seu envolvimento com a família real.

Elise nos conta sua trajetória de criada que limpa urinóis a criada pessoal e confidente da Rainha Lenore, por quem desenvolve um amor profundo, quase como o amor que uma filha tem por sua mãe. 

Lenore passa anos sem conceber, colocando o reino praticamente nas mãos do cunhado Bowen, um homem mesquinho e inconsequente, tomada pelo desespero, ela busca ajuda de Millicent, tia do Rei Rupert, uma mulher invejosa e má, que através de sua astúcia, exige o crédito pela gravidez da soberana, instituindo assim, domínio sobre a ingênua e facilmente influenciável rainha. Millicent tenta manipular Lenore de todas as formas, fazendo com que o Rei a expulse do castelo, e assim, fazendo seu rancor tomar proporções desastrosas, ocasionando num juramento de ódio e vingança contra o reino e todos os seus residentes, principalmente a família real e seu mais novo membro, a princesa Rosa.

Neste conto, a magia não é um elemento a ser considerado, não há fadas madrinhas ou varinhas mágicas, o que o leitor encontra é uma história contada de forma real, até mesmo os casos românticos, que deveriam fazer o coração palpitar, são contados de forma analítica, e não de forma sentimental.

O livro começa devagar, demora a pegar o ritmo de uma "aventura", pois há muitos elementos a serem acrescentados para que possam fazer sentido à medida que o leitor se aprofunda na narrativa, a história é bem escrita, mas não recomendo para as pessoas que estão acostumadas com romances leves em que sabe-se que a felicidade está logo na próxima página.
" O que salvou Rosa foi o amor. Não a paixão que um rapaz impressionável pode sentir ao ver uma bela jovem desamparada dormindo numa cama. Não, o amor de que falo é muito mais poderoso. "

Enquanto Bela Dormia deve ser lido com uma caixa de lenços ao lado, recomendo que o leitor não tenha expectativas muito altas em relação aos casos amorosos apresentados e ao destino final das personagens, mas sim que saboreie a história com cautela, pelo bem de seus nervos.
"Houve uma época em que eu preferia esconder as lembranças da minha vida pregressa a reconhecer tudo o que havia perdido. Agora encontro consolo nessas recordações"

Recomendo a leitura, mas estejam avisados, nesse livro nada acontece como esperamos.
"Consola-me pensar que a história da Bela Adormecida continuará viva depois de todos nós, uma história de maldade derrotada e amor triunfal que ressoará por séculos. E é assim que deve ser. Porque a verdade não é nenhum conto de fadas"



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